sexta-feira, dezembro 07, 2007

O que veremos?


Nos últimos dias tenho pensado muito quando navego pela blogosfera, enquanto leio os vossos testemunhos. Todas as que sofrem do mesmo mal que eu falam em continuar, indefinidamente, a luta... Eu resolvi não pensar mais nisso. Não me vejo a fazer novo tratamento, parece que tenho mais medo agora do que quando ia iniciar a longa caminhada das injecções. Porquê? Porque é que eu não percebo porque é que as pessoas continuam a tentar mês após mês, sofrendo os desgostos dos negativos, porquê? Onde vão buscar essa coragem e essa força para seguir em frente? Onde? Não é que eu a queira, apenas quero saber o que vos move.

Não vos pareça mal este texto, pois admiro imenso a vossa preserverança, embora não a compreenda. Depois do meu tratamento negativo fiquei de rastos. Senti-me completamente devastada, de tal modo que nem conseguia falar no que me tinha acontecido. Foi ponto assente que não queria repetir. A dor de não conseguir engravidar foi tão grande!... Dois meses depois o meu marido falou em irmos buscar os congelados em Dezembro e eu respondi-lhe com alguma bruteza que nem pensasse nisso, não se tinha apercebido do mal que tudo isto me causara?

Hoje, quase quatro meses após, continuo sem vontade de tentar. Virei-me para a adopção, para a ideia de ter uma criança que não nasça de mim. Virei-me para a minha relação com o meu marido, que saiu fortalecida. Virei-me para mim, pois o centro da minha vida estava a ser uma criança que ainda nem tinha sido concebida... E acho que saí a ganhar. Não vos quero demover de alcançar os vossos sonhos, mas penso que às vezes pô-los à frente de tudo e de todos não dá bom resultado.
Os anos passam, os melhores anos das nossas vidas passam e quando olharmos para trás um dia, o que veremos?

10 comentários:

Anna72 disse...

Quando se trata de formas de ser, formas de encarar os problemas, é tudo complicado e muito relativo.

No que concerne às outras pessoas não posso falar mas, no meu caso (e não sabendo o que o futuro me reserva), por enquanto não penso em desistir porque sei que se não tentar mais tarde arrepender-me-ei de não o ter feito. Acho que consigo lidar bem com as adversidades que a infertilidade acarreta porque, infelizmente, a vida reservou-me outro tipo de problemas bem mais graves e isso permitiu-me relativizar as coisas.

Enfim, é complicado. Cada pessoa tem a sua forma de lidar com tudo isto. E se a tua é tomar outro rumo, força! Como diz o ditado "cada um sabe de si e Deus de todos" ;)

Beijocas

Tixa disse...

Minha querida cada pessoa é uma pessoa única, com uma personalidade única.
Vou-te dar o meu exemplo, qd descobrimos a nossa infertilidade não nos detivemos a ter pena de nós próprios, de andavamos a tentar ter um filho, continuamos, sem paranoias sem obcessões, voltámo-nos para a ciência.
Quando fiz o meu primeiro ttt sabia que podia falhar e qd só consegui um embrião coloquei o meu coração ao largo, no dia do negativo nem lágrimas houve, apaenas a certeza que iriamos tentar outra vez e imposemos a nós mesmo o limite de 4 tentativas (valor que achavamos razoavel e onde nos sentiriamos bem por termos feito tudo o que estava ao nosso alcance).
Quando fiz este ttt parti confiante mas sempre realista e qd deu positivo nem deu para acreditar e toda a mágoa fica cá dentro mas com a sensação que valeu a pena.
Mas o querer seguir e tentar não me torna uma melhor pessoa, não faz de ti uma pessoa pior, é como te digo cadsa um tem a sua maneira de lidar com a sua vida.
Nunca conceberia andar anos e anos, ttt e ttt desgastaria-me a mim, ao meu marido e à nossa relação, mas falo por mim e não julgo quem o faça.
Tiveste a sorte de conseguires embriões congelados, mas só cabe a ti a decisão de os ires buscar, o processo é bem mais simples, mas a parte psicológica é igual, mas tu tens de decidir se queres lutar por um filho biologico, só a ti cabe essa decisão e ninguém tem o direito de te julgar.
Eu nem hesitaria, já os tinha ido buscar, mas eu sou eu percebes?
Sempre lideu com a infertilidade de uma forma "distante", nunca felei muito dela no meu cantinho, nunca deixei que ela mandasse na minha vida e acho que isso me ajudou a ter a força para seguir.
Espero ter-te ajudado.
A adopção tb é uma forma de termos filhos, os nossos filhos de coração, mas a espera que em Portugal se vive essa sim daria cabo de mim, o adiar tanta coisa sempre à espera...aí eu ainda sofreria mais.
E para além disso os processos podem ser pararelos, porque temos espaço para todos.
Um bj enorme e quero que saibas que gosto muito de ti.

Micas disse...

Parece-me que levantaste uma questão...."unica"..direi!!
Concordo ctg quando dizes que a infertilidade não deve ser o centro da nossa vida. Acho que "estraga" uma relação, a vida e os sonhos.
Temos momentos tão bons e únicos que podemos viver sem pensar na infertilidade.
Mas se pensarmos no sonho de ter um filho...ela volta...e aí temos que ter argumentos para lidar com ela! No meu caso, tenho ido muito devagarinho...à espera que um "milagre" aconteça...no entanto não vou desistir sem ir até a um final que me seja permitido.
Mas cada caso...é um caso!!

o importante...é sermos felizes no caminho que traçamos para a nossa Vida. E compreender cada maneira de ser e viver, sem ter de concordar com exageros desmedidos.

Beijinhos e um excelente fsemana,
Inês

Sem Desistir disse...

A nossa vida não pode ser vivida em função da Infertilidade. Por outro lado, vivemos na esperança de vencê-la. Só tu poderás deliniar o que pretendes, só tu!
A decisão é dificil. Mas, qualquer que seja a tua decisão, deves ter consciência que é bem ponderada.
bjs

Mara disse...

Eu que não sofro de infertilidade acho que ter um filho adoptivo é igualmente compensador. Não julgo quem faz tratamentos, compreendo a persistência porque não sei o que é não conseguir conceber. Acho que o que as move é o querer sentir um bébe a crescer dentro da barriguita.
Acho que devemos lutar pelos sonhos, apesar de termos que ter sempre os pés bem assentes.
Fico feliz pela opção que as pessoas tomam de adoptar, e relativamente aos ttt cada um sabe os seus limites e quando deve parar.
E se nos está a fazer mal ai temos mesmo de parar!!
É um "pau de dois bicos" como se costuma dizer.

Susana Pina disse...

Amiga,
não deixo de te dar razão, mas o que me move é de facto o desejo de ter um filho biologico independentemente de ter o meu filho(a) do coração, pois já estou inscrita na adopção hà quase 4 anos.
A Adopção também é um processo lento e penoso, não penses que será melhor.
E quanto ao filho biologico, eu não acho que a minha relação com o meu marido seja prejudicada pela luta que temos travado, pelo contrario, acho que só mesmo uma relação sólida consegue suportar tantas desilusões.
Eu irei continuar até não sei quando, porque um dia quando olhar para tràs, não me quero arrepender de nada que não tivesse feito, e no fundo eu sinto que um dia ainda vou ter um filho nos braços.
De qualquer forma, compreendo a tua decisão, mesmo assim, não nos abandones, o.k?
Bjs doces e as maiores felicidades para a tua vida é o que desejo
Susana

Luazzinha disse...

ola :)
gostei do teu blog pois nota-se que encontras te alguma paz... penso que isso é o mais importante!
temos de fazer akilo que o nosso coração manda :)
bjs com carinho

Nykita disse...

Olá linda só tu podes dilinear o teu futuro e o que é melhor para a tua vida ,para tudo o que fazemos na vida é preciso ter força e coragem...
O que nos move na vida são os nossos sonhos,e para alcansá-los é preciso lutar mesmo que ás vezes tenhamos que sofrer mto,e qd se tem as coisas mto fáceis deixa-se de dar o devido valor tb sei que ás vezes sofrermos demais por um sonho...mas nós ñ somos todas iguais, as nossa resistencia é diferente,tb há dias k ainda estamos mais em baixo e que procuramos outros caminhos para alcansar os nossos sonhos mas cada um sabe qual o caminho k deve seguir qual é o memos desgastante .mas tb temos que penasr que ñ podemos viver em função dos nossos sofrimentos na vida tb há coisas boas e é nelas k temo-nos que se agarrar para nos fortalecermos...
Mesmo assim mesmo que tenhas-te virado para a questão da adopção quero k saibas k admiro mto as pessoas k teêm essa coragem ,mas tb é um caminho mto longo.
Acho que deves ir buscar os teus congeladitos é um processo menos penoso mas mexe na mesma com o nosso psicológico mas tens k te sentir preparada, é claro.
Seja qual for o caminho k escolhas desejo.te mta sorte e estaremos sempre aki para te apoiar no k precisares...
um beijinho xeio de miminhos e de sorte

Luna (Dina) disse...

Durante sete anos sofri a dor dos negativos, mas sabia que tinha um caminho a fazer e fi-lo. Não coloquei nunca de parte todas as opções que sempre temos, mas precisava esgotar as minhas hipoteses de viver a maternidade no seu pleno. compreendo que estejas ainda muito magoada, tal como tu houve alturas em que pensei desistir, mas á medida que o tempo passava eu percebia que isso não me preenchia. Nos ultimos anos perdi o medo de sofrer pelos negativos, sabia que queria voltara a tentar mais umas vezes e depois sim se não conseguise desistiria partindo para outras opções. Não é facil e o mundo cai-me em cima muitas vezes. Graças a Deus não desisti e hoje tenho dentro de mim a recompensa maior dessa luta. conheço que tenha desistido e nem por isso está feliz - pelo contrario está arrependida e triste. Por isso é importante ponderar bem aquilo que queremos, mas de cabeça fria e com o coração calmo e sem magoas. Desculpa mas acho que se tivesse no teu lugar jamais deixaria de ir buscar os congeladitos. Não é preciso desistir de tudo para não deixar a infertilidade tomar conta de nossas vidas e ser delas o centro das atenções. Pode-se viver com ela e ao mesmo tempo com os outros sonhos. No entanto a tua decisão tambem é muito corajosa e louvável. so deves ponderar se queres mesmo deixar os congelditos abandonados ...há por ai muita gravidez de congeladitos.

Beijocas e sorte

Tiquinha disse...

Infelizmente entendo bem o que queres dizer, As vezes há que parar e pensar até onde se esta disposta a ir, até onde as nossas pernas conseguem precorrer o caminho. Não sou de forma nehuma um exemplo de sucesso na infertilidade, os meus quatro voos acabaram abruptamente com uma monumental queda, apesar de num ainda ter planado uns instantes.
Mas posso meter a colher? Por experiência própria, os congelados nunca te irão deixar ficar em paz completa, estarão sempre a lembrar-te que ainda poderá ser, tenta criar forças e resolver essa questão...isto é a minha opinião!
beijocas